“Sinal destes tempos, Marcelo Fruet é um artista difícil de ser catalogado. Gosto de vê-lo como um roqueiro que faz música brasileira (ou, o que, um dia, se convencionou chamar de MPB). A densidade e a melancolia de sua música, porém, também me remete ao pop argentino contemporâneo, com um ar de Kevin Johansen – e, de volta ao Brasil, mas não muito, exala muito da poesia rigorosa de Vitor Ramil, perpassa o Caetano nos tempos em que andava inspirado, e deságua na MPB pré-trilha-sonora-de-bar, que tem Lenine como o último baluarte.” * Marcelo Ferla , release “AIÓN”, 2012.

Nascido em Porto Alegre, Rio grande do Sul, Marcelo Fruet é produtor musical, compositor popular, canta, toca violão e faz gravações em seu modesto atelier. Acostumado a produzir discos de outros artistas e criar trilhas sonoras para a TV e o cinema, o gaúcho demonstra habilidades que vão além da criação e interpretação musical: produz, grava e mixa pessoalmente seus discos.

O cardápio musical de Marcelo Fruet & Os Cozinheiros serve porções generosas de MPB - sabor tropicalista - acompanhadas por um molho roqueiro especial e se aproveita da doçura picante do jazz para a sobremesa. Quem vai ao show pode esperar uma diversidade poética e musical, refinada na medida certa para emocionar até mesmo os que desconhecem completamente sua obra. A aproximação de estilos sulistas (como o tango e a milonga) e estilos tropicais (como o samba e a bossa-nova), que brinca frequentemente com o rock, revela um artista contemporâneo que converge experiências musicais sutis em resultados estéticos interessantes.

A banda, também formada por Nicola Spolidoro (guitarra), Leonardo “Brawl” (baixo), André Lucciano (bateria) e Lúcio Chachamovich (violões), tem dois discos gravados e já tocou em diversos festivais no Brasil e no exterior. Fruet - que já teve música tocada no Big Brother Brasil 7, recebeu quatro Prêmios Açorianos de Música e um troféu de Melhor Música Original no Festival de Gramado – foi o único artista do estado do RS selecionado para participar do Festival Musica Pra Todo Mundo, promovido pela Oi Música. Também foi um dos únicos artistas da nova geração que integrou o show de 3O anos do movimento da MPG, ao lado de renomados compositores gaúchos, como Bebeto Alves e Nelson Coelho de Castro.

No momento, o grupo está em tournée com disco “AIÓN” que pretende passar por diversas cidades dentro e fora do país.

Foi numa tarde ensolarada que veio à tona de fazer alguma coisa com todas aquelas músicas guardadas que não cabiam em nenhum coletivo musical dos quais participava na época. Chamei o Brawl e o André. Eles toparam minha idéia maluca de ser um artista-solo-com-banda-fixa. A proposta era revirar as canções do avesso, sem deixar de ser razoavelmente pop: o resultado tinha que ficar digerível, como um bom prato de comida exótica. Daí, o nome da banda.

O Nicola entrou mais tarde, após participar de alguns shows como convidado. Já conhecia ele do bairro onde morávamos e acompanhava sua evolução como músico. Certo dia, acabamos nos encontrando no parque (Marinha do Brasil), os dois com violão em punho. Foi bem legal: violão no pôr-do-sol (quer coisa melhor?). E o que era pra ser um acidente, tornou-se rotina, culminando com a entrada dele para a banda. 2006/2007. O Índio San rapidamente virou nosso parceiro gráfico oficial, porque além de designer talentoso, era vizinho de porta. Enquanto a banda gravava, eu, ele e nosso companheiro de rua Rodrigo  Dmart, nos divertíamos tentando encontrar um conceito que justificasse um álbum com apenas seis músicas. O desafio era que ele não fosse considerado um Ep, mas um disco conceitual. Foi assim que surgiu a idéia do cubo: alguém falou a palavra, o Dmart captou a mensagem e verbalizou. Em instantes, todos já haviam entendido, como que por telepatia. Havia nascido o primeiro álbum da banda O Som do Fim ou Tanto Faz, embalado pelo conceito de disco-objeto, que eu havia visto pela primeira vez no LP Transa, do Caetano, uma herança de família.

Apesar da banda ser coesa e auto-suficiente não nos limitamos ao que somos. Gostamos de agregar. Gostamos de participações. Na verdade, adoramos. Por isso, preciso citar aqui os honorários do time: Mateus Mapa, João Marcelo Selhane e Alex Haas. Quase todo show tem um deles junto. O Selhane, chegamos a levar até aos EUA. Ele quase teve o visto negado por causa de um dedo que estava sem as digitais, devido à uma cicatriz enorme, herdada do cavaquinho. Foi engraçado! No final tudo deu certo, pois, mesmo sem saber falar inglês, o samba havia lhe fornecido um jogo de cintura invejável. Voltamos dos EUA e lançamos o single Play - uma música muito bacana que eu havia composto inicialmente em parceria com meu colega Fabrício, na 6ª série do primário – para comemorar.

Hora de fazer coisas novas e re-visitar coisas esquecidas. Hora de pensar num segundo disco… Após muitos projetos para gravação de CD frustrados, finalmente saiu a contemplação pelo FUMPROARTE. Estávamos prontos para gravar o segundo disco, mas o destino nos reservava o imprevisível: um acidente pessoal. Fiquei com a mão direita muito limitada por um longo período e a gravação do disco foi adiada em mais de um ano. Nesse meio tempo, fiquei só cantando e tive que contar com alguns amigos para tocar violão no meu lugar. Outra surpresa do destino. Gostei desse lance de só cantar. E foi aí que acabamos chamando o Lúcio Chachamovich para integrar a equipe. 2010. Começamos finalmente a gravar - embora muito lentamente, pois aguardávamos a melhora de minha situação ortopédica. Nesse ano conheci a acupuntura e a osteopatia, além de virar um cara menos sedentário, o que foi ótimo. Foi um ano de muita atividade pensante, reavaliação das possibilidades, dos valores. Foi quando aprendi a usar o mouse com a mão esquerda e a pensar muito antes de fazer as coisas, para que a execução fosse o mais “na mosca” possível, evitando o desgaste físico de minhas lesões manuais. Foi o período de pensar todo o disco novo, como seria produzido, executado e contextualizado.

Começamos finalmente a gravar - embora muito lentamente, pois aguardávamos a melhora de minha situação ortopédica. Nesse ano conheci a acupuntura e a osteopatia, além de virar um cara menos sedentário, o que foi ótimo. Foi um ano de muita atividade pensante, reavaliação das possibilidades, dos valores. Foi quando aprendi a usar o mouse com a mão esquerda e a pensar muito antes de fazer as coisas, para que a execução fosse o mais “na mosca” possível, evitando o desgaste físico de minhas lesões manuais. Foi o período de pensar todo o disco novo, como seria produzido, executado e contextualizado.

Um ano de atividade intensa. Um mergulho nos timbres. Uma obsessão musical. Um disco novo. Muitos devaneios e debates com os amigos, que me levaram ao caminho certeiro mais uma vez: a busca pelo nome e conceito do disco. Começou a fazer mais sentido graças a algumas dessas conversas – com destaque para os papos que levava com o artista plástico Munir Klamt nas badaladas festas do poeta Marcelo Noah, e diariamente com minha mulher Roberta, que me introduziu à obra de Lacan e Freud, assunto pelo qual me apaixonei. Nesse ano, tive ainda a oportunidade de conhecer Elida Tessler, enquanto gravávamos, no meu estúdio, seu trabalho Ist Orbita para a VIII Bienal do Mercosul. Foi ela quem me apresentou o prof. Donaldo Schüller. Ele apareceu por lá pessoalmente para gravar seus poemas, mas acabou fazendo, sem querer, a locução da faixa que daria nome ao nosso novo disco. Ao recitar o trecho de um texto em que o filósofo grego Heráclito fala sobre o que é “Aión”, foi peça fundamental para enriquecer ainda mais o conceito do nosso álbum (pois é, o professor traduziu Heráclito para o português e sabia trechos de cabeça, no idioma original...quase tão incrível quanto traduzir Joyce, façanha que também realizou). Ao final do ano, revelamos brevemente o que estava por vir, quando lançamos a faixa Song For Tom – bela canção de meu amigo Guilherme Curi, da qual me apropriei desde a primeira vez em que ele me mostrou. Tinha tudo a ver comigo porque tinha tudo a ver com o Transa do Caetano, que – acho que já deu pra perceber - eu adorava.

Mixando o disco. Masterizando o disco. Faltou apenas lançar, mas o lançamento teve que ser postergado diversas vezes devido a acontecimentos muito interessantes. Após o verão, no começo do ano “normal”, fomos convidados pra tocar em Minas Gerais, em um festival de rock competitivo. A grana não dava pras passagens de todos e tivemos que ir de trio representar o grupo: ganhamos o festival. Chegando de volta, fomos selecionados para a final do Festival Música Pra Todo Mundo e precisamos parar o andamento do disco para nos dedicar às ações de marketing, pois essa fase era decidida na base da votação popular. Não ganhamos, mas fomos bem. Hora de fabricar os CDs. O problema é que logo já começou outra empreitada: atender ao convite do Kansai Music Conference para tocar no Japão. Mais campanha, mais projetos e depois a viagem, que foi demais! AIÓN foi lançado no final de 2012, no Japão e em Porto Alegre e entrou para algumas listas bacanas de melhor disco do ano.

Esse é o capítulo que eu quero que vocês me ajudem a escrever.